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HISTÓRIAS DA EILA

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Aconteceu uma coisa que eu não esperava, que eu não
tinha planejado, nem sonhado. Fui condecorada com a medalha
de honra da Ordem dos Cavaleiros do Leão da Finlândia.
Quando eu soube que isto iria acontecer, levei até
um susto.
Foi na festa Natalina no nosso clube quando o Embaixador da
Finlândia se aproximou e me deu a noticia sobre a condecoração
por ordem da presidenta Tarja Halonen.
Sim, foi um susto. Pensei que tinha feito alguma coisa errada
e iria ser castigada. O motivo disso era que nunca tinha pensado
em ser condecorada e por outro eu tinha tomado bastante cerveja
e a minha cabeça já não regulava bem.
Fui até grosseira com o Embaixador. No dia seguinte
pedi desculpas, e naturalmente comecei o gostar da idéia
de ser condecorada.
Mas tem aí um erro: eu iria receber a medalha pelo
meu trabalho de ampliar as relações culturais
entre a Finlândia e o Brasil.
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Nada disso eu fiz. Se realmente assim aconteceu, foi sem querer.
Não fiz nada pela Finlândia, nem pelo Brasil.
O que fiz e faço é querer ter fama e gloria e
sobreviver sem ajuda de ninguém. Gosto muito de ser conhecida
e famosa, alimenta a minha vaidade.
Mas vamos deixar como está, não vou discutir sobre
o assunto.
A entrega da medalha foi no dia, 14 de Fevereiro de 2003, na
minha antiga casa "Villa Eila" começou às
18 horas com o discurso do Embaixador. (Discurso curto, por
sorte).
Depois tomamos Champagne e brindamos. Havia bastante gente e
muitos fotógrafos. Depois disso era a minha vez de discursar.
O Reininho preparou para mim um discurso quilométrico
e muito formal e sem graça. Acabei não lendo nem
metade e acrescentei mais alguma coisa engraçada para
fazer o povo rir (eu gostaria de trabalhar no teatro em papéis
cômicos) Fui muito aplaudida, depois fomos jantar no Koskenkorva,
um restaurante finlandês. Começou a chover e trovejar
e todos chegaram no Koskenkorva como pintos molhados. Depois
a luz acabou e sentamos no escuro esperando o jantar sair, mas
demorou muito por não ter luz na cozinha. Mas todos bebendo
bastante. Foi uma festa alegre.
Vou passar para outro assunto:
Fui convidada para academia Militar das Agulhas Negras
para assistir a troca de comando. Fiquei surpresa, pois
não tinha sido convidada há muitos anos.
Desde o tempo do Gal. Braz, nunca mais.
Cheguei ma hora marcada e não havia uma cadeira
para sentar. Perguntei a um militar (não sei se
era um sargento ou um general) onde poderia sentar. (Eu
com quase cem anos de vida vou assistir a cerimônia
em pé? Nunca!) Ele, o homem fardado, me respondeu
que eu poderia ou deveria pedir a alguém que estivesse
sentado, para me ceder o lugar. Respondi com a grosseria
costumeira, mandando o militar tomar banho. E fui embora
sem assistir a cerimônia. Acontece que não
devo nada à Academia. Ela (Academia) sim deve a
mim. Pelo menos tres tapeçarias grandes enfeitam
as paredes da AMAN, que não foram compradas, e
sim doadas por mim. |
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Eila e Bingo, 1950
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Da mesma forma as prefeituras de Itatiaia e Resende são
enfeitadas por mim. Sem ter tido nunca nenhum tipo de retorno.
Por isso não convidei para a minha festa, autoridades,
nem civis nem militares. Não estou devendo nada a eles.
Terceiro assunto:
Como já estou perto do fim, só me faltam
14 anos para completar um século de vida. Então
acho que eu deva ser (pelo menos tentar) ser uma boa pessoa,
generosa etc. para ver se consigo com isso ganhar a entrada
para o céu.
(Não custa tentar para ver em que dá).
Para mostrar a minha generosidade dei 30 quadros a óleo
e 10 tapeçarias para a Casa da Criança em
Volta Redonda. A exposição vai ser 10 de
Março às 10 horas num salão da CSN
em beneficio da Casa da Criança. Estou também
preparando 30 quadros em beneficio do Instituto de deficientes
visuais de Ribeirão Preto.
Talvez isso dê para uma entrada no céu.
Por hoje é só.
Eila.
- abril 2003 -
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Eila por Oscar D'Ambrosio |
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